sexta-feira, 11 de abril de 2014

DESCOBRI QUE SOU E ESTOU MUITO DOENTE!!!




Ontem (10/04/14) enquanto esperava minha vez de ser atendido numa clínica (inflamação de ouvido, quase resolvida) me deparo com a edição de abril da revista ISTO É, que tem como matéria de capa A CURA DO AMOR. Fiquei curioso e fui ler do que se tratava essa matéria... Seria quase cômico se não fosse trágico!!! Existem grupos de cientistas (e não só cientistas) que realmente veem o amor como doença e propõe sua cura através de drogas farmacêuticas e tratamentos psicoterapêuticos. Essas drogas são resultados de pesquisas no que chamam de BIOTECNOLOGIA ANTIAMOR.

O nome diz tudo! Eu não espero de uma ciência mecanizada e reducionista, que busca reduzir emoções, sentimentos e comportamentos a uma série de operações sinápticas envolvendo um punhado de neurotransmissores (que tem como objetivo justificar a medicamentação das pessoas), uma compreensão do que é e da importância do amor (amor enquanto emoção) na história evolutiva humana. Sou de uma rede de pesquisas que vê o amor como a emoção que dá origem ao ser humano e ao fenômeno social. Entendo emoção como uma disposição corporal que envolve o domínio fisiológico (pele, músculos, ossos, sangue, órgãos, vísceras, energia etc...) e o domínio do sistema nervoso em sua imensa (quase infinita!) plasticidade e complexidade. É da relação de entrelaçamento entre esses dois domínios que surgem as emoções, como disposições corporais. Elas não nascem no cérebro, ou em qualquer parte do corpo. As emoções são resultado e expressão de uma totalidade, de uma unidade integral, apesar de dual, do acoplamento entre dois domínios cujas organizações são independentes, fisiologia e sistema nervoso. Além do mais elas não são discretas, fazendo uma analogia a um conceito matemático. As emoções são um continuum, se assemelham mais a um rio ininterrupto, ou um fluxo continuo, onde as distinções que fazemos como amor, ódio, alegria, tristeza, são fotografias de instantes, momentos, que expressam muito mais a precariedade das palavras do que propriamente a experiência íntima.

Quando dessa relação de acoplamento entre fisiologia e sistema nervoso se estabelece um domínio de condutas recorrentes entre os seres de uma mesma espécie nasce a linguagem, um espaço relacional onde o animal se faz humano, onde por meio da emoção do amor nos dispomos a reconhecer e nos fazer seres sociais. É o amor a disposição corporal, somática, que me leva a reconhecer, aceitar e desejar o outro em coexistência e convivência comigo. Conviver é viver em comum! Essa visão radicalmente diferente sobre o modo de operar do sistema nervoso, seu acoplamento estrutural ao restante da fisiologia e como surgem as emoções e a linguagem na história filogenética e ontogenética dos seres humanos é complexa, nem ouso tentar explicar aqui. Mas para quem se interessa em pesquisar sobre os desdobramentos dessa teoria, sobre as origens das culturas patriarcais/matriarcais e matríztica recomendo o livro Amar e Brincar do neurocientista chileno Humberto Maturana e da educadora alemã Gerda Verden-Zoller.

O que a matéria da ISTO É mostra de forma escandalosa é o que Wilhelm Reich denunciou durante décadas, o que ele chamou de MISÉRIA SEXUAL E AMOROSA, a perda da capacidade natural das pessoas se entregarem e viverem de forma livre o amor e a sexualidade. As formas neuróticas e patológicas de relacionamentos que a matéria chama de AMOR DOENTIO OU PATOLÓGICO não são doenças, SÃO SINTOMAS! Esses sintomas denunciam um sistema social, político e religioso que NEGA a naturalidade do amor e do sexo, que incute nas pessoas desde os primeiros anos de vida uma moral repressora onde amor é visto e transmitido como algo desejado mas perigoso, utópico e inalcançável (além de ser usado como arma de chantagem!) e sexo algo sujo e pecaminoso, que dese ser evitado para a salvação da alma, exceto sob a benção da família, de Deus e da Igreja.

O que a BIOTECNOLOGIA ANTIAMOR promete não é eliminar a doença, mas aliviar os sintomas decorrentes dela. Dizer que as emoções, sentimentos podem ser localizados em alguma região cerebral ou do corpo é FALSO, é só uma justificativa que a ciência (que se tornou a religião hegemônica no ocidente) encontra para a medicamentação das pessoas e enriquecimento da indústria farmacêutica. Mas dizer que é a ciência quem diz também é falso, porque a ciência não existe em si mesma, como não existe o Estado, as Religiões ou qualquer instituição oficial. O QUE EXISTEM SÃO PESSOAS! São pessoas (cientistas, políticos, religiosos) que dizem o que dizem! São essas pessoas, avalizadas pelo social, que lideram e governam Estados, Centros Acadêmicos, Igrejas e instituições oficiais, pessoas que já não tem contato com a vida (que é o único impulso primário!), que já não experimentam mais as delícias do amor e sexo vividos de forma livre e lúdica. São essas pessoas que dizem que as crianças e adolescentes devem ser protegidos dos perigos do amor e da sexualidade, quando na verdade o que elas estão fazendo é proteger a si mesmas do insuportável incomodo de conviver ao lado de pessoas que vivem seu amor e sua sexualidade livremente. Para quem não vive o próprio amor e sexualidade de forma livre orientados na busca pelo prazer as únicas formas de relações que restam são as autoritárias, neuróticas, patológicas, obsessivas, sadomasoquistas, psicóticas etc, onde buscam muito mais o poder e a submissão para se livrarem de suas angústias insuportáveis do que o prazer, alegria e satisfação.

 A vida em sua realização autogerada (autopoiese) se orienta em direção ao prazer, sendo o amor e o sexo são suas maiores fontes de energia! Se amor doentio é aquele em que se deseja ardentemente a pessoa amada, em que se faz sentir a vida pulsando no sexo e em todo o corpo, que alimenta o viver em todas as suas dimensões, em que se perde o interesse pelos jogos autoritários e chantagísticos que visam principalmente a manutenção de relações de interesses escusos, que faz perceber que o consumo desenfreado e a fome insaciável de realização material são formas de se preencher um vazio eterno deixado pela carência amorosa e sexual e manter um sistema falido e que prega o ANTIAMOR em sua origem, então EU SOU DOENTE, MEU AMOR É DOENTIO! Doentio porque aprendi que viver é mais que estar vivo, que a energia mobilizada pelas paixões é o que alimenta a vida. Me recuso a participar dessa ciranda suicida em que a dita sociedade civilizada, negando os impulsos primários e naturais, quer girar. Prefiro ser um selvagem ou um vagabundo a perder minha vida!


Enfim... este é meu desabafo depois da indignação que a matéria da revista me causou, e uma declaração de amor a mim, a minha vida e as pessoas que amo! Entre sobreviver e morrer escolho o amor e o sexo!





(Abaixo umas fotos que tirei da matéria.)











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